Segunda-feira, 20 de Julho de 2009

Tem muito mais pra dizer.

Há quanto tempo não escrevo?
Nem sei mais. Perdi a noção do tempo.
Tanta coisa pra contar!
Viajei semana passada, fui à Minas, interior. Levei caderno, caneta e mp3. Era ideal, perfeito. Voltei. Apenas brancura em folhas.
Dias depois, Lucas e Kiro em minha casa. Tour por Brasília. Diversão e risadas.
Estávamos no museu, quando minha mãe liga no meu celular chorando. Eu não entendi nada que ela falou. Nada, nada. Depois de alguns minutos ela respirou e perguntou: "Rafa, minha filha, você entendeu o que eu disse?"
Eu respondi: "Não, mãe, não entendi. Aconteceu alguma coisa?"
Ela, soluçando, disse: "Você passou na UnB, passou na UnB, Rafa!"
Não vi o momento em que desliguei o celular e coloquei minhas duas mão sobre o rosto, já molhado de lágrimas. Lucas segurou meu braço e perguntou o que havia acontecido. Dei a notícia. Fizemos muuuuito barulho dentro do museu!
Depois, o telefone não parava de tocar. Minha tia liga gritando, meus amigos, minha psicóloga.
Meu Deus, era aquilo! Não acreditava!
Os dois primeiros nomes que me vieram à cabeça (não que os outros não sejam importantes) foram Fabrício e Tatiana. Fabrício, melhor professor de uma vida inteira, melhor amigo, melhor apoio. Tatiana, psicóloga.
Cheguei em casa e no telefone haviam 21 ligações perdidas.
Meu pai chegou e me abraçou tão forte *__*

Nesse dia, não tive tempo de pensar muita coisa.
Hoje, já com as emoções quase no lugar, pensei em tudo.
Fiz a inscrição pensando que seria minha última te
ntativa. A prova foi realizada um mês após minha primavera ter ido embora e a matrícula na Católica já havia sido feita. Fui lá, fiz o que sabia. Temerosa e cansada. Em minha redação, falei sobre Frida.
E lembro da frase que coloquei no fim: Frida me ensina a viver.

Eu pensava estar tapeando a todos que acreditavam em mim. A tapeada fui eu.
Esse é o fim de uma luta e o início de outra.

O que eu digo agora?
Obrigada serve?
Oi UnB!
Tem muito mais pra dizer, mas por enquanto só consigo isso.

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Odeio números ímpares.

Odeio números ímpares. Odeio mais ainda os primos. Mas, por incrível que pareça, os anos ímpares são sempre mais generosos comigo. Deve ser porque neles, eu tenho uma idade par. Daqui a 1 minuto vão ser 11:00, a hora do dia que eu menos gosto.
É que eu tenho duas mãos, dois olhos, duas orelhas, duas pernas, dois braços. E um coração. Tá certo que é só um, mas ele tem duas cavidades; o que me faz ainda gostar dele um pouquinho.
Que maldade é essa com os números? Certo que eu nunca fui fã de exatas, mas sempre achei uma sacanagem esses números ímpares. Porque quando a gente agrupa eles, geralmente em pares, sempre fica sobrando um. Quem pensou nesse que sobra? E os primos? Que tristeza, dividí-los apenas por um e por eles mesmos. Se bem que dois também é primo. Então, pares não parecem tão bons no final. E ímpares somados a ímpares ficam pares. E pares a pares também ficam pares. E pares com ímpares, ímpares.
Logo, estar sozinho não parece tão ruim. Tudo pode ser dividido para uma pessoa. E quando ela está com outra, são duas. E dois é número primo. E dois só divide números pares. E vai sempre sobrar quando forem dividir coisas ímpares. E, se dividem coisas ruins ímpares entre duas pessoas, sempre sobra uma. E a que sobra pesa para um dos lados, e faz com que dois prefiram ser um só, cada um do seu lado. Um mais machucado, outro meio intacto, mas ainda assim ruim. E mesmo se tentarem dividir arduamente, cada um fica com 0,5 do um que sobrou, que também é ímpar.
Preciso começar a gostar dos números ímpares. E a gostar de ser ímpar também. É que essa coisa de muitos números não combina comigo.

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

The waiting room.

Senti vontade de fazer um post pra "homenagear" minha psicóloga. Ela passou um longo período me aturando e quis logo me dar alta pra se ver livre de mim. Sabe como é, né?
Esse foi o melhor lugar em que estive nos últimos 9 meses. Lugar de mais risadas, de mais calmaria, onde mais li, onde mais fui eu, onde mais percebi coisas que estavam óbvias, mas não conseguia ver.



" Olha, Rafa, certa vez namorei um "caboco" que terminou comigo por estar confuso. Eu ia fazer o quê, né? Deixar ele desconfundir. Combinamos ser amigos, assim eu teria umas migalhinhas e não me sentiria tão sozinha, ele também. O tempo foi passando e começamos a nos falar regularmente. Até então normal. Então ele me convidou para ir ao cinema. Eu fui. O ritual foi o mesmo de sempre. Ele comprou meu doce favorito e escolheu um filme de que eu gostasse. Acabou, fui pra casa. Normal. Dias depois, me convidou para ir ao forró. Fomos. Dançamos. Acabou, fui pra casa. Normal. Ele sempre dizia que eu era uma pessoa maravilhosa, senão a melhor que ele já havia conhecido. Um dia, Rafa, dei uma carona pra ele no meu carro e quando parei na frente da casa dele disse que queria conversar. Ele estava ali, ia dizer não?
- Olha, Fulano, eu quero pedir pra você parar de fazer isso. Ao invés de me fazer bem, faz mal.
- Como assim?
- Fulano, se você não tem sentimentos... Aaah, legal! Mas eu tenho! E isso dói.
- Pensei que você fosse mais madura.
- Isso não tem nada a ver com maturidade!
- Tá bom, posso sair?
- Pode. "

(ele saiu do carro)


Grande pausa, Rafaela com cara de oooh sorrow.




Passa a mão nas pernas e diz: É...




Estamos casados até hoje.




Mil risadas!



Vou sentir falta disso, minha psicóloga é a mais melhor de boa desse mundo *__*
E ontem foi um misto de felicidade com perda, mas um ganho muito maior eu tive!
Como quando você sofre um acidente e tem que fazer fisioterapia e reaprender seus movimentos. Se ela me "largou", é porque consigo.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Uma ovelha com cara de homem.

Nessas minhas tardes de discografias e páginas de livros, visitei o blog do Caio Fábio, meu "pastor", e amei o texto, em resposta à uma carta que recebeu. Vou colar apenas um pedaço, onde ele fala dele mesmo, do que ele representa hoje. Uma das coisas que mais me impressiona no Caio é sua simplicidade. Para ele e o Caminho da Graça, você não precisa fazer isso ou aquilo e entrar no nosso "clubinho", basta sua fé. Muitas pessoas sabem da história dele. "Adorado" pelos evangélicos há algum tempo atrás, até ter desistido de levar adiante um Cristianismo de modismos e até outros acontecimentos virem à tona. Mas, enfim. Vamos ao texto, hoje não estou inspirada para coisas minhas.

Desse modo, mesmo querendo viajar para o lugar primitivo da simplicidade do Evangelho, tentam parar-me pela interpretação que julga que ... a)...estou criando um povo; b)...estou criando uma subdivisão do Cristianismo; o que é pior do que botar remendo de pano novo em vestes velhas, ou ainda vinho novo em odres velhos.
Na realidade não tenho a intenção de criar nada, pois, de fato, creio que tudo o que se busca criar em nome de Deus já nasce fracassado...
Quem cria é Deus. E cria pela Palavra do Seu poder.
Eu apenas prego. Mas não olho para frente e vejo um povo, um movimento, um grande poder humano, uma grande influencia na Terra...
Não! Não vejo nada além dos que vejo agora, bem diante de mim... Vejo hoje. Vejo agora. Hoje me basta.
Para o futuro, tudo o que vejo no mundo é a morte da fé e a luta indômita de todos os que desejarem se manter em Jesus e no amor de Deus.
No entanto, não dá para dizer que sofro de Síndrome de Perseguição aos Cristãos nominais... Primeiro porque eu não “sofro”... De fato, sofro mesmo, mas não é de síndrome persecutória... E por que sofro? Ora, sofro porque amo. Amo a toda gente deste mundo. Por isto, pergunto: Como não amaria o povo humano em meio ao qual nasci e que é todo ele cristão?
Não é fácil amar tanta gente e viver em freqüente antagonismo contra muitas práticas dessas mesmas pessoas exatamente por amá-las.
O que eu ganho buscando tal enfrentamento?
Sim, se não creio que acontecerá nada além do que está acontecendo com pessoas hoje, mas sem grandes viradas históricas massivas!?...
Tudo o que não sou é paranóico. Se fosse teria ficado mesmo... Rsrsrs. Mas é porque não sou paranóico que não valorizo as agressões que recebo, as quais agora estão virando até “paranóia minha”... Sim, justamente apenas porque os que antes faziam ostensivamente a perseguição agora temem fazê-la, pois, antes, me julgavam morto e sozinho, e hoje me pensam vivo e muito bem acompanhado...
Então, agora, a coisa está assim: virando “sutil paranóia” minha...
Acho tudo muito engraçado!...
Alguém pode negar que antes os evangélicos me “amavam”?...
Alguém pode negar que meu único agravo aos evangélicos tenha sido apenas o que decidi acerca de minha própria existência, não importando se estava certo ou errado?
Alguém pode negar que fui considerado morto e que como tal fui tratado, sem que ninguém perguntasse se eu ainda vivia?
Alguém pode negar o fato de que em tais circunstancias minha melhor ajuda aos evangélicos seja ser exatamente o que para eles eu me tornei?
A história é a seguinte:
Você está morrendo... Mas eles batem em você até a morte. Então, como você não morre e nem fica “caído” no chão, mas levanta e parte para cima dos agressores... indagando acerca de tal loucura, sendo eles frouxos, correm; e, por isto, você se torne o agressivo aos olhos dos mesmos que viram você caído na estrada, ferido de morte, e nada fizeram...
Desse modo, em tal meio, você se torna culpado até de ter sobrevivido muito bem em Deus!
Sim, se você passa adiante... e segue seu caminho, mas não deseja mais a companhia deles... mais adiante escrevem a você e dizem que você sofre de uma “sutil síndrome de perseguição”... ou que você está amargurado... Amargurado eu estive, mas não hoje... Mas quando eu estava amargurado eles nem notavam, pois estavam ocupados demais tentando me matar de vez...
Ora, hoje, quando me acusam de qualquer coisa, sinto muita misericórdia do engano auto-imposto..., em razão do qual algumas pessoas têm a coragem de me acusar sei lá do quê.
Eu não persigo os evangélicos...
Afinal, que poder teria eu para efetivamente fazer isto mesmo que desejasse?... [e nunca foi e nem será o caso!]
Não! Não é nada disso!...
Afinal, apenas sigo pregando o Evangelho...
Todavia, pergunto: será que a tal perseguição minha aos evangélicos não seria apenas a entregação dos próprios evangélicos acerca do fato que o Evangelho se lhes tornou antagônico?
Quanto à ovelha vestida de lobo, creio que seja apenas o vício religioso de ver lobo nas aparências e de ver ovelhas nas aparências...
Eu não vejo nada assim...
Vejo como Jesus mandou que víssemos, não importando a cara, o cabelo, a imagem, o lugar, o modo, o jeito, as palavras, os sinais de milagres, profecias, curas, prodígios ou a ausência deles!
“João Batista nunca fez nenhum sinal, mas tudo quanto disse acerca de Jesus era verdade!”
Portanto, vejo apenas o conteúdo, o fruto.
Jesus disse que era apenas pelo fruto da vida, do amor, da paz, da graça, da misericórdia, da sinceridade com Deus e com a Palavra, que se poderia ver, discernir e provar o fruto da existência de um homem.
A usar o critério das aparências como chamaríamos Elias e João Batista? De lobos vestidos de peles de cabras? Ou de ovelhas vestidas de cabras?
Sou muito menos do que você imagina, e que minhas intenções nem existem como intenções, pois, minha confiança no Senhor é tanta que não planejo nada... Não uso nenhum sentido de posicionamento estratégico, não tenho nenhuma agenda oculta ou sonho grandioso.
Quanto ao sentido escatológico do tencionemento que você detecta em minha existência, peço ao Senhor que jamais o deixe morrer em mim, pois, no dia em que acontecer tudo morrerá em meu ser.
Andar com Jesus é um caminho de expectação escatológico/existencial todos os dias...
Quem não carrega esse surto de expectativa e de significação em sua existência histórica, existirá sem saber o que seja de fato andar com Jesus estando no mundo sem ser do mundo.
Agora pense:
Se você olha para essa porcariazinha aqui que sou eu, e vê essas coisas grandiosas que você viu, ou mesmo as “contraditórias” que você mencionou — como cara de lobo em natureza real de ovelha —, o que você acha que Jesus suscitou nos dias Dele?
“Este menino será objeto de contradição, a fim de que se manifestem os pensamentos ocultos de muitos corações” — decretou Simeão.
Se eu me tornar apenas um chaveirinho dessa contradição já me sentirei galardoado pelo simples fato de assim poder viver e significar as coisas aos sentidos do mundo.
O fato é que sinto que os cristãos ficaram tão pedrados pelo culto moral à imagem e pela estética da “santificação religiosa” [bem à moda dos fariseus], que, hoje, eu poderia dizer tudo o que digo, sem perseguições, se apenas algumas coisas fossem feitas por mim..., a saber:
1ª – me tornar membro de um conselho de pastores;
2ª aceitar pregar em eventos de “líderes”, dizendo sempre: “Nós”, “nosso povo”, “nosso lado”, “nosso crescimento”, “nossos interesses”...;
3ª cortar o cabelo, a barba, vestir gravata, falar de modo a carregar o sotaque do gueto, e, sobretudo, exaltar o fato de que “se está crescendo é porque está bem”...
Pronto! Basta fazer isto e tudo volta a ser como dantes no Quartel de Abrantes...
Entretanto, digo que enquanto os evangélicos ficam buscando sinais de lobos em roupas, cabelos, barbas, ou formas pessoais de personalidade não clonada pela “igreja” — os verdadeiros lobos botam paletó e gravata, arrumam o cabelo com gel, botam um anel de bispo no dedo, evocam um título qualquer, contratam “seguranças”, levantam dinheiro, organizam eventos, representam a “igreja” junto às autoridades, e falam em nome de Deus sob os améns do povo abençoadamente cego...
Quanto a mim, creia: sou apenas uma ovelha com cara de homem!



Nele, em Quem somos apenas quem Ele nos designou para ser, isso se nosso coração não tiver medo de ser,

Caio.

Aqui, na íntegra.